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ARTIGOS & DICAS

LIGA SANTISTA DE CICLISMO

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Avaliação Biomecanicada

         

Ajuste preciso para garantir
boa performance na bike
Texto: Marcos Adami

          Todos sabemos que para tirarmos o máximo proveito de nossa bicicleta o ciclista tem que estar corretamente posicionado sobre a bike. Além de evitar o desperdício de energia, o ciclista evitará uma série de lesões.

Uma bike perfeitamente ajustada pode melhorar em até 20% a performance do ciclista
          A Biomecânica é a ciência que estuda o movimento esportivo, o gesto técnico de determinada modalidade. No caso do ciclismo, esta ciência se preocupa em estudar os movimentos do ciclista sobre a bike de forma que eles sejam aproveitados ao máximo para garantir a performance perfeita para o conjunto bike + biker.

          No Brasil, um dos pioneiros a usar a tecnologia para posicionar ciclistas sobre suas bikes é o campineiro Rogério Camargo que é graduado em Educação física pela Puc de Campinas e é pós-graduado Treinamento Desportivo pela FMU, de São Paulo.
         
          Mas, foi no ano 2000, em um curso de Especialização em Ciência da Biomecânica, na UCSD (Universidade Católica de San Diego), nos Estados Unidos que Camargo aprendeu os macetes do posicionamento do ciclista sobre a bike.

          Camargo já fez cerca de 120 avaliações de biomecânica em um ano de atividades. É ele o responsável pela avaliação postural do ciclista Renato Ruiz, atual Campeão Brasileiro de Ciclismo na categoria Sub-23, além do casal João Evangelista e de sua esposa Maria Luzia Bello, ambos muito bem posicionados no ranking brasileiro de ciclismo.

          "Estudos indicam que em seis meses, um ciclista pode ganhar até 20% mais de performance, quando corretamente posicionado sobre a bike", garante Camargo. Muitos de meus clientes voltam em meu consultório e me dizem: "Nossa Rogério, não sei o que aconteceu comigo, estou andando muito mais agora depois que você regulou minha bike".

          Ele estudou as diferenças de geometria de construção de quadros entre europeus e norte-americanos. A geometria européia é mais clássica, com bikes de quadro grandes. Já nos Estados Unidos a tendência é a de se utilizar quadros menores e mais compactos, que compensam o pequeno tamanho dos quadros no comprimento do canote de selim e da mesa.

MUITAS VARIÁVEIS


          Muitos fatores influenciam na hora de encontrar a posição ideal do ciclista sobre a bike. Antes de iniciar a consulta, Rogério Camargo conversa com o ciclista para saber seus objetivos, seu estilo de pedalada, sua experiência no esporte e também o tipo de bicicleta que o ciclista vai utilizar.

          Diferentes bicicletas exigem diferentes posicionamentos. Uma bike de contra-relógio será regulada de uma forma diferente de uma mountain bike, ainda que as duas pertençam a um mesmo cliente. É muito comum Rogério fazer a avaliação biomecânica em duas, ou até mesmo três bicicletas, de um mesmo ciclista. Para cada uma as regulagens são diferentes.

          Outro fator que é levado em consideração é o tipo físico de cada indivíduo. Alguém com fêmur comprido terá uma posição sobre a bike diferente de alguém [de mesma estatura] com o fêmur relativamente curto. A flexibilidade de cada indivíduo é também um fator determinante da postura que vai ser adotada sobre a bike. "O atleta deve dominar a bike e não a bike dominar o atleta", ensina Camargo.

A AVALIAÇÃO

          O primeiro passo para a avaliação é fixar corretamente o taquinho na sapatilha. O eixo do pedal deve ficar alinhado com o osso do metatarso, no pé. Essa regulagem é muito importante para que toda a força executada pelo ciclista seja transmitida de maneira direta sobre o pedal.

          Posteriormente, Camargo precisa conhecer as medidas fundamentais do ciclista. Com uma fita métrica, Camargo anota as medidas da altura do cavalo (distância do vão das pernas até o chão) e a largura dos ombros, que será importante para determinar a largura ideal de guidão para o ciclista.

OBS: Notem que a estatura (altura) do ciclista não é importante. O que importa mesmo é a altura do cavalo, pois o comprimento de pernas varia de pessoa para pessoa.

 Medida teste 1
          Depois o ciclista passa por dois rápidos testes para determinar a sua flexibilidade, que serão importantes no momento do ajuste final da bike.

FLEX TESTE 1

          Deitado no chão, Camargo pede ao ciclista para levantar uma das pernas. Simplesmente levantá-la do chão.

          Com o auxílio de um goniômetro (espécie de transferidor) o ângulo formado entre o fêmur e o tronco é anotado.


Medida do ângulo no Teste 2
 
FLEX TESTE 2

          Deitado no chão, com o joelho dobrado, o ciclista encolhe a coxa o mais próximo possível de seu peito.

          O ângulo formado pelo fêmur com o tronco é também inserido no programa.

          Esses dois ângulo são importantes, pois revelam o quanto de flexibilidade o ciclista tem no momento da pedalada.

          Todas as medidas recolhidas são então inseridas em um software desenvolvido pelo próprio Rogério, que vai calcular o tamanho de quadro ideal para o ciclismo — ou para o mountain bike —, e a largura do guidão.

          O mesmo programa calcula também a altura inicial do selim, que pode variar mais tarde em função dos ajustes finais e do estilo de cada um.

O AJUSTE

Primeiro passo - Com a bike sobre um rolo de treinamento, o ciclista monta na bike, pedala e verifica se a altura inicial do selim está ideal para seu estilo de pedalada. Exemplo: um ciclista que gira mais as pernas pode ter o selim um pouco mais baixo e pode ter o selim até 0,5cm mais avançado. Um ciclista que pedala mais travado pode ter o selim ligeiramente mais elevado. A experiência de Camargo saberá indicar o melhor para o ciclista.

Segundo passo -
Com o auxílio de um prumo (desses de pedreiro), Camargo encontra a posição para o ciclista sobre o selim em que o tendão patelar fique alinhado com o metatarso e, consequentemente, na mesma linha do eixo do pedal. Essa posição é fundamental para a maior eficiência da pedalada. Se necessáro, o selim é deslocado para frente ou para trás, conforme o caso.

Com o ciclista perfeitamente acomodado sobre o selim e altura definida, é hora de posicionar o ciclista sobre o guidão da bike. Aqui, os resultados dos testes Flex 1 e Flex 2 são fundamentais no posicionamento final do ciclista sobre a bike. A flexibilidade individual vai variar bastante de ciclista para ciclista e quanto mais alongamento tiver um ciclista, melhor.

Terceiro passo - Com o ciclista montado sobre a bike com ambos os pés clipados nos pedais, uma das pernas deve ficar com o pedal bem paralelo ao solo. O ângulo formado entre o fêmur, a fíbula e a tíbia é analisado. Para um ciclista que gira bastante os pedais (spinner), esse ângulo vai ficar ao redor dos 35 graus. Já para quem pedala mais travado (smasher), um ângulo de 25º é o ideal. Esses ângulos são alterados, mexendo-se cuidadosamente na altura do selim. Essa regulagem é muito importante para evitar lesões no ciclista.
Ângulos superiores a 60º
entre o fêmur e o tronco
prejudicam a performance


Quarto passo - Por último, com o ciclista segurando o pedal no ponto mais alto da pedalada (ponto morto superior), o ângulo formado entre o fêmur e o tronco é analisado.

          Se este ângulo for menor que 60º, vai prejudicar a performance do ciclista, pois comprime o diafragma e dificulta respiração.

          Esse ângulo é alterado na mesa do guidão. Às vezes pode ser necessária a inversão da mesa (cabeça para baixo), ou até mesmo a substituição por outra.

DEFEITOS DE POSTURA


          Uma pedalada perfeita é aquela que é cíclica, bem redonda, sem falhas e que produz energia durante todo o ciclo. Falhas na postura produzem pedaladas defeituosas, que comprometem a performance e podem levar a sérias lesões.

          Segundo Rogério Camargo, a mesa fora de posição é o defeito mais comum entre os ciclistas. "Há aqueles que têm uma posição muito agressiva sobre a bicicleta, na busca de mais aerodinâmica, entretanto, a flexibilidade individual deve ser observada além de, nem sempre a posição mais aerodinâmica é a que aproveita melhor a energia produzida pelo ciclista na pedalada", observa

Veja alguns dos principais defeitos de postura sobre a bike:

- Selim alto demais: faz com que a pedalada fica quebrada e perde eficiência. O ciclista rebola quando visto por trás.

- Selim baixo demais: Além de não produzir a energia ideal, um selim muito baixo pode acarretar lesões, pois recruta outros grupos musculares.

- Selim muito para frente: durante a pedalada o joelho passa da linha do eixo do pedal e pode provocar dores no tendão patelar.

- Selim muito para trás: Pode gerar dores na panturrilha, logo atrás do joelho.

- Taquinho muito para frente: haverá menos apoio na base do pé do ciclista. Fora do alinhamento do metatarso, há perda de força na pedalada.

- Taquinho muito para trás: A pedalada passa a ter como base o meio do pé e pode acarretar dores na sola.

- Taquinho aberto ou fechado: Pode acarretar lesões nos ligamentos cruzados posterior e anterior do joelhos. A maioria dos problemas de ligamento vem de um taquinho mal posicionado.

Faça você o teste e compare os seus resultados de flexibilidade:


TESTE 1
TESTE 2

Ótima: mais de 90º

Ótima: 140º ou mais

Média: 80-90

Média: 130-140º

Debilitada: Menos de 80º

Debilitada: menos que 130º