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LIGA SANTISTA DE CICLISMO

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03/10/2008
 

Johan Bruyneel prepara a Astana para 2009 e espera uma grande temporada do time cazaque com Alberto Contador e Lance Armstrong

 

Divulgação

Bruyneel

 

Oito vezes campeão do Tour de France como diretor de equipe – sete com o norte-americano Lance Armstrong e uma com o espanhol Alberto Contador –, o belga Johan Bruyneel está acostumado a grandes conquistas.

Em 2008, ele assumiu o comando da Astana e o resultado não poderia ter sido melhor. Com um time muito forte, que, além de Contador, ainda conta com outros grandes atletas, como o norte-americano Levi Leipheimer e o alemão Andreas Klöden. Esse esquadrão cazaque conseguiu 34 vitórias na temporada, entre elas os triunfos no Giro d´Italia e na Vuelta a España.

Com o término das principais competições deste ano, Bruyneel já começa a pensar em 2009, e não vê nenhum problema em ter lado a lado Alberto Contador e Lance Armstrong.

Muitos acreditam que a chegada de Lance Armstrong pode provocar uma divisão na Astana. Você teme isso?
Johan Bruyneel -
Se tivesse algum temor quanto a isto Armstrong não iria correr pela Astana em 2009. Acho que a presença de Lance vai trazer muitos benefícios para todos da equipe. Ele é muito mais do que um ciclista talentoso e com físico privilegiado. São pequenas coisas que o separam dos outros, como seu carisma, a forma de conversar com a imprensa e incentivar os companheiros. Isto não é algo comum e os outros atletas podem aprender muito.

Armstrong tem chances de lutar por títulos em seu retorno?
JB -
Precisamos levar em conta que 2009 não é 2005. Mas ele já provou ter um físico excelente e ser capaz de vencer grandes provas. Muitos questionam sobre sua idade, porém, basta olhar para o italiano Davide Rebellin e o espanhol Juan Lllaneras, que aos 40 anos conquistou uma medalha de ouro nos Jogos de Pequim.

Alberto Contador se mostrou inseguro após a chegada de Armstrong. O espanhol será o líder da equipe em 2009?
JB -
Li em algumas reportagens que ele ficou muito frustrado com esta situação. Alberto teve um ano magnífico, é o melhor ciclista profissional do mundo e criou alguns projetos pessoais após ter se tornado um grande campeão. Mas as pessoas precisam lembrar que trabalho para os interesses de nossos patrocinadores cazaques, e não para Contador ou Armstrong. Nossa meta é levar o atleta mais forte à vitória. Acabamos de ter um bom exemplo disto na Vuelta. Leipheimer poderia ter sido campeão da competição. Ele assumiu a camisa ouro em duas oportunidades, mas o diretor sabia da força de Alberto e todo time trabalhou para ele. Tivemos grandes líderes em 2008, e a chegada de mais um só vai tornar o time mais forte.

Você teme que Contador deixe a Astana se não se entender com Armstrong?
JB -
Muitos times estão interessados no Alberto, mas ele tem contrato com a Astana até 2010. Muitos ciclistas assinam um compromisso de dois anos com as equipes, mas Contador insistiu em um vínculo de três, pois conhecia nossa força e sabia que poderíamos ajudá-lo a vencer grandes corridas. Investi bastante tempo para ajudar em seu desenvolvimento, e ele vai continuar no time por mais dois anos, até o fim do contrato. É simples, não existe a opção de Alberto partir.

Contador e Armstrong já conversaram após se tornarem companheiros de equipe?
JB -
Não que eu saiba. Alberto terminou a Vuelta e foi para o Mundial. Eles vão se ver e conversar no nosso primeiro training camp, em dezembro. Lá, vou sentar com os diretores e os ciclistas para discutir a temporada 2009.

Você acha que Lance Armstrong aceitaria trabalhar para Alberto Contador?
JB -
Sim, e o próprio Armstrong já respondeu esta questão na semana passada em Las Vegas. Ele sabe que as decisões são tomadas no carro da equipe e entende nossa filosofia. Vamos trabalhar para o mais forte. Esta não será a primeira vez que grandes nomes estarão no mesmo time. Estou muito confiante para 2009, apesar de a mídia tentar colocar a todo o momento Alberto contra Lance. No ano que vem, todos os veículos de comunicação terão muito que escrever sobre isto.

A equipe da Astana já está fechada para 2009 ou chegarão novos ciclistas?
JB -
Além dos 21 que temos, mais cinco atletas integrarão o grupo na próxima temporada. Um deles é o espanhol Jesus Hernandez. Ele é um bom montanhista e ajudará muito Alberto. Outros quatro jovens do Cazaquistão vão se juntar a nós, pois eles mostraram muito potencial pela Kazakh Ulan Team e estão prontos para dar o próximo passo na carreira. Isto será importante para o país desenvolver uma nova geração de ciclistas profissionais. Estamos animados com a chegada dos quatro e vamos trabalhar para que eles cresçam.
 

 

 

Fonte: Prologo