Johan Bruyneel prepara a Astana para 2009 e espera uma grande temporada do time cazaque com Alberto Contador e Lance Armstrong
Oito
vezes campeão do Tour de France como diretor de equipe – sete com o
norte-americano Lance Armstrong e uma com o espanhol Alberto Contador –,
o belga Johan Bruyneel está acostumado a grandes conquistas.
Em 2008, ele assumiu o comando da Astana e o resultado não poderia ter
sido melhor. Com um time muito forte, que, além de Contador, ainda conta
com outros grandes atletas, como o norte-americano Levi Leipheimer e o
alemão Andreas Klöden. Esse esquadrão cazaque conseguiu 34 vitórias na
temporada, entre elas os triunfos no Giro d´Italia e na Vuelta a España.
Com o término das principais competições deste ano, Bruyneel já começa a
pensar em 2009, e não vê nenhum problema em ter lado a lado Alberto
Contador e Lance Armstrong.
Muitos acreditam que a chegada de Lance Armstrong pode provocar uma
divisão na Astana. Você teme isso?
Johan Bruyneel - Se tivesse algum temor quanto a isto Armstrong não
iria correr pela Astana em 2009. Acho que a presença de Lance vai trazer
muitos benefícios para todos da equipe. Ele é muito mais do que um
ciclista talentoso e com físico privilegiado. São pequenas coisas que o
separam dos outros, como seu carisma, a forma de conversar com a
imprensa e incentivar os companheiros. Isto não é algo comum e os outros
atletas podem aprender muito.
Armstrong tem chances de lutar por títulos em seu retorno?
JB - Precisamos levar em conta que 2009 não é 2005. Mas ele já
provou ter um físico excelente e ser capaz de vencer grandes provas.
Muitos questionam sobre sua idade, porém, basta olhar para o italiano
Davide Rebellin e o espanhol Juan Lllaneras, que aos 40 anos conquistou
uma medalha de ouro nos Jogos de Pequim.
Alberto Contador se mostrou inseguro após a chegada de Armstrong. O
espanhol será o líder da equipe em 2009?
JB -Li em algumas reportagens que ele ficou muito frustrado com esta
situação. Alberto teve um ano magnífico, é o melhor ciclista
profissional do mundo e criou alguns projetos pessoais após ter se
tornado um grande campeão. Mas as pessoas precisam lembrar que trabalho
para os interesses de nossos patrocinadores cazaques, e não para
Contador ou Armstrong. Nossa meta é levar o atleta mais forte à vitória.
Acabamos de ter um bom exemplo disto na Vuelta. Leipheimer poderia ter
sido campeão da competição. Ele assumiu a camisa ouro em duas
oportunidades, mas o diretor sabia da força de Alberto e todo time
trabalhou para ele. Tivemos grandes líderes em 2008, e a chegada de mais
um só vai tornar o time mais forte.
Você teme que Contador deixe a Astana se não se entender com
Armstrong?
JB - Muitos times estão interessados no Alberto, mas ele tem
contrato com a Astana até 2010. Muitos ciclistas assinam um compromisso
de dois anos com as equipes, mas Contador insistiu em um vínculo de
três, pois conhecia nossa força e sabia que poderíamos ajudá-lo a vencer
grandes corridas. Investi bastante tempo para ajudar em seu
desenvolvimento, e ele vai continuar no time por mais dois anos, até o
fim do contrato. É simples, não existe a opção de Alberto partir.
Contador e Armstrong já conversaram após se tornarem companheiros de
equipe?
JB - Não que eu saiba. Alberto terminou a Vuelta e foi para o
Mundial. Eles vão se ver e conversar no nosso primeiro training camp, em
dezembro. Lá, vou sentar com os diretores e os ciclistas para discutir a
temporada 2009.
Você acha que Lance Armstrong aceitaria trabalhar para Alberto
Contador?
JB - Sim, e o próprio Armstrong já respondeu esta questão na semana
passada em Las Vegas. Ele sabe que as decisões são tomadas no carro da
equipe e entende nossa filosofia. Vamos trabalhar para o mais forte.
Esta não será a primeira vez que grandes nomes estarão no mesmo time.
Estou muito confiante para 2009, apesar de a mídia tentar colocar a todo
o momento Alberto contra Lance. No ano que vem, todos os veículos de
comunicação terão muito que escrever sobre isto.
A equipe da Astana já está fechada para 2009 ou chegarão novos
ciclistas?
JB - Além dos 21 que temos, mais cinco atletas integrarão o grupo na
próxima temporada. Um deles é o espanhol Jesus Hernandez. Ele é um bom
montanhista e ajudará muito Alberto. Outros quatro jovens do Cazaquistão
vão se juntar a nós, pois eles mostraram muito potencial pela Kazakh
Ulan Team e estão prontos para dar o próximo passo na carreira. Isto
será importante para o país desenvolver uma nova geração de ciclistas
profissionais. Estamos animados com a chegada dos quatro e vamos
trabalhar para que eles cresçam.
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